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“Bonde da Lacoste” aterroriza baladas de classe alta no Rio de Janeiro

Camisas usadas pela gangue 226x300 Bonde da Lacoste aterroriza baladas de classe alta no Rio de Janeiro
Camisas usadas pela gangue
Rio de Janeiro – À primeira vista, parece um grupo convencional de amigos. Todos reunidos, bem arrumados e prontos para curtir a “night”. Mas quem já teve o azar de estar no mesmo ambiente destes jovens sabe qual é a diversão deles: brigas e muita confusão.

O grupo se encontra normalmente a partir das 21 horas em um posto de gasolina na Barra da Tijuca. Com carros importados com som alto e bebendo vodka gaseificada, o grupo faz o que chamam de “esquenta”. Camisa polo com a gola erguida é a principal característica do grupo, que se intitula o “Bonde da Lacoste”, em alusão à marca de uso obrigatório dos integrantes.

“Aqui nós impomos respeito. Somos reconhecidos por nossa crocodilagem. Ninguém mexe com a gente” afirma Pedro Albuquerque, um dos chefes da gangue.

Os jovens,de classe média-alta, são todos praticantes de alguma arte marcial. Jiu-jitsu, boxe tailandês e kenpô havaiano são algumas das preferidas do bando.

Depois do “esquenta” o grupo toma rumo para alguma boate da região, e é lá que o clima esquenta. “A gente chega na balada pra representar, curtir e pegar as mulher (sic). Só isso. Briga é consequência, tem muito vacilão que vem tirar onda e ai mermão, ou mete o pé ou a chapa esquenta” disse M. V., 17 anos e novo integrante do “Bonde”.

De acordo com os integrantes, a pancadaria só começa quando alguém mexe com o grupo. “Nós ficamos na nossa, mas quando alguem olha torto temos que interferir. Principalmente se são os vacilões da Ralph Lauren” disse Matias Lundgren, estudante de medicina, conhecido como “Cachorrão”.

Segundo Pedro, o “bonde” tem uma hierarquia “Aqui você pode ver, quem usa camisa polo simples de uma cor só, é novato. Já nós, os chefes, podemos usar polos listradas”.

Adolpho Paschoal, presidente da UBC (União das Baladas Cariocas) diz que o grupo tem incomodado muito os frequentadores de casas noturnas. “Esse pessoal tá na nossa mira já, mas é dificil proibir eles de entrarem nas casas. Muitos são filhos de gente muito poderosa” Mas quando as brigas passam dos limites, segundo Adolpho, a Polícia Militar sempre é acionada.

Apesar da intervenção da polícia, os baderneiros nunca passam mais do que algumas horas na delegacia. Segundo o relato de um jovem, que se envolveu em uma briga com os membros do bando, os pais poderosos sempre dão um jeitinho de contornar a situação com os policiais.

“Eu e mais dois amigos enfrentamos e ‘deitamos’ seis deles numa briga. Nós três passamos a noite na cadeia. Eles foram embora em minutos. O pai de um deles disse que a gente ia tomar um chá de cadeira pra aprender a não se meter em confusão com o filho dele. É fo.., mas é a realidade do Brasil. Manda quem tem dinheiro.” afirmou o rapaz de 22 anos, que preferiu não se identificar.

A PM informou que averiguará com mais afinco os casos e não comentou as acusações de facilitar a liberação dos jovens.

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